segunda-feira, 21 de março de 2011

Dois Irmãos


Dois Irmãos

É a serra dos Dois Irmãos o ponto culminante do município, atingindo cerca de 400 metros de altura. Seu nome deriva de seus cabeços mais importantes – os Dois Irmãos, separados entre si pela cachoeira do rio Paraíba e que se situam na divisa entre os municípios de Viçosa e Cajueiro (antigo distrito de Capela). Constituem-se em atração turística natural, distantes 8 Km da sede municipal e entrecortados pela via férrea.

O historiador Alfredo Brandão criou, em 1900, uma bela “estória” para “explicar” a gênese dos Dois Irmãos – a lenda de Inhamunhá, a meiga e sedutora iara que teria cometido o suicídio (convertendo-se após a morte na cachoeira do Paraíba) para evitar o combate de morte entre os irmãos guerreiros e indígenas Pirauê e Pirauá, desejosos de desposá-la. Enlouquecidos com o trágico desaparecimento da pretendida, os dois irmãos, possuídos por infinita melancolia, acabaram por transformar-se em gigantescas pedras que são hoje a serra dos Dois Irmãos.

O bairrismo exacerbado de alguns munícipes deseja, a todo custo, que Pedro Álvares Cabral tenha avistado os cumes dos morros ora em enfoque, e não – como a História ensina – o monte Pascoal, na Bahia. Em outras palavras: o descobrimento do Brasil ocorreu em alguma das verdes margens do rio Paraíba, onde certamente Cabral teria aportado com sua esquadra – hipótese muito simpática e nada provável.

O certo e indiscutível é que a serra dos Dois Irmãos serviu de refúgio e esconderijo para o heróico Zumbi e seus sequazes, fato este comprovado através de minuciosas pesquisas empreendidas por Alfredo Brandão e constantes em seu livro Viçosa de Alagoas. Ou nas palavras do historiador: “Não é pois de admirar que o Zumbi se tivesse refugiado a princípio no Sabalangá e mais tarde na serra que lhe fica próxima – a serra dos Dois Irmãos – a qual, por causa dos seus desfiladeiros, seus penhascos abruptos e suas gargantas profundas, por uma das quais se precipita o Paraíba, poderia oferecer todas as condições de estratégia e resistência”.

Por Sidney Wanderley

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