quarta-feira, 30 de março de 2011

Indígenas

Indígenas

Foram os habitantes primitivos do município.

Em meados do século XVI, após desentender- se com o filho do segundo governador-geral do Brasil - D. Duarte da Costa, o primeiro bispo do Brasil (D. Pero Fernandes Sardinha) aboletou-se num navio e zarpou para Portugal. Em litoral alagoano a embarcação desistiu da viagem e soçobrou, morrendo afogada a maior parte de seus tripulantes.

Alguns felizardos, nadando com fé e obstinação, conseguiram chegar com vida a terra firme. Entre eles, D. Pero Fernandes Sardinha. Não estavam num dia de sorte, porém.

Mal chegados ao solo alagoano, foram imediatamente aprisionados pelos temíveis (índios caetés, que, entre outros hábitos estranhos e pouco recomendáveis, cultivavam a antropofagia. Tiveram suas cabeças esmagadas pelos tacapes e seus corpos digeridos pela fome indígena. Um lauto banquete, diga-se de passagem.

Após a matança do bispo, os portugueses aliados aos índios tabajaras decretaram guerra de morte aos caetés. Estes, numérica e logisticamente inferiores, foram praticamente dizimados em batalhas que se prolongaram pela segunda metade do século XVI.

Os poucos caetés sobreviventes embrenharam-se pelo sertão e, após a extinção dos quilombos, começaram a repovoar a Zona da Mata alagoana.

É ainda (e sempre) o historiador Alfredo Brandão quem nos socorre:

"Sendo os Caetés divididos em muitas sub-tribos, procurei saber qual o ramo que havia habitado a Viçosa e cheguei a conclusão que tinha sido o dos Caambembes, ou mais simplesmente Cambembes, índios que escaparam ao estudo dos investigadores e de cuja existência tive notícia por meio de reminiscências vagas, disseminadas ainda hoje entre os habitantes do local”.

“O vocábulo cambembe serve hoje na Viçosa para designar o povo baixo do campo. Tal designação é recebida quase como uma afronta, vendo-se portanto que ela pertenceu a uma raça que se degradou. Segundo penso, a palavra cambembe é uma corruptela de caamemby, vocábulo indígena que se decompõe em caa – mato e memby – flauta, gaita ou buzina. Literalmente a tradução será: mato de gaitas, de buzinas ou de flautas. Desta etimologia depreendo que os Cambembes deviam ser um povo amigo da música. É bem possível que haja alguma identidade desses índios com os bardos dos Caetés, os quais conforme relata Ferdinand Diniz, acompanhavam os guerreiros nas pelejas, incitando-os com os seus cantos. Ainda hoje entre os caboclos descendentes dos Cambembes, encontram-se exímios tocadores de pífano”.

No início do século XIX, quando Viçosa (então Riacho do Meio) não contava sequer com quinhentas almas, os cambembes vieram a constituir a classe proletária que trabalhava assalariada nos roçados de algodão e nas engenhocas dos proprietários de terras. Daí o acertado registro do dicionarista Aurélio Buarque de Holanda: “Cambembe. Bras., AL. No município de Viçosa, pessoa humilde que mora no campo”.

Daí também o motivo de propriedades e povoações possuírem denominações tais como Porangaba, Pindoba, Pirauás, Tangil, Gereba, Caramatuba, entre muitas outras similares.

Por Sidney Wanderley

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