quarta-feira, 6 de abril de 2011

Octávio Brandão

Octavio Brandão (em foto de 1921, com a esposa Laura): ótimo militante, bom companheiro, mau sonetista.

Octávio Brandão
Nasceu em Viçosa no ano de 1896.

Viveu em Alagoas e Pernambuco até o ano de 1919, onde colaborou com os jornais do interior e das capitais publicando comentários políticos e incontáveis sonetos, além de empreender sucessivas incursões pelos municípios de seu estado natal estudando-lhes a flora, a fauna, os aspectos geológicos e mineralógicos, bem como as relações sociais. Coligiu seus numerosos apontamentos num volume maçudo e um tanto caótico sob o título “Canais e Lagoas”, publicado em 1919.

Foi, ao lado de Oscar Cordeiro e Monteiro Lobato, um dos grandes pioneiros do petróleo brasileiro, tendo sofrido sucessivas perseguições e ameaças de morte por parte de indivíduos a serviço dos trustes estrangeiros.

Sob a influência de Antonio Bernardo Canellas – fundador em Viçosa do jornal Tribuna do Povo (1917) – fez-se anarquista até 1922, ano em que, já morando no Rio de Janeiro e exercendo a profissão de farmacêutico, converteu-se ao comunismo, tornou-se membro do recém-fundado Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, a partir de 1925, fundador e diretor do jornal A Classe Operária. Seu artigo “Agrarismo e Industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e guerra de classes no Brasil”, datado de 1926, teve grande influência na formação teórica dos militantes do PCB até o final da década de 30.

Autor dos livros “Canais e Lagoas” (1919), “O Caminho” (1950), “O Niilista Machado de Assis” (1958) e “combates e Batalhas (1978), em 1966, quando completou setenta anos, foi-lhe dedicada uma emissão especial pela Rádio Moscou, anunciando-se na ocasião que Lênin recebera e lera os seus trabalhos iniciais.

Tendo vivido por quinze anos na União Soviética e nos leste europeu, este batalhador incansável das causas populares retornou ao Brasil com a queda de Getúlio Vargas em 1946. Aqui viveu quase sempre de forma clandestina, tendo por inúmeras vezes sofrido prisão e perseguição política, até seu falecimento no Rio de Janeiro, em estado de quase absoluta miséria, em março de 1980.

Por Sidney Wanderley



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