quarta-feira, 6 de abril de 2011

Riacho do Meio

Igrejinha do Rosário: marco inicial da povoação do Riacho do Meio.

Riacho do Meio

Denominação primitiva do atual município de Viçosa (AL).

Tal denominação deriva da existência de um riacho que atravessa o centro da cidade e que se situa entre dois outros – o riacho Gurungumba e o riacho Limoeiro. Daí o nome Riacho do Meio.

Duas lendas narram a gênese da referida povoação.

A primeira, menos divulgada, relata que na margem do riacho Gurungumba, no Sabalangá, existia há muitos anos um preto velho caçador, e na margem do riacho do Limoeiro existia outro caçador, também preto e velho. Sendo companheiros de caçada, tinham sempre como ponto de encontro o riacho que passa no centro, à igual distância dos outros dois, o qual teve a denominação de Riacho do Meio, nome que se estendeu mais tarde ao arraial que se fundou em suas margens.

A segunda lenda, mais conhecida, refere que todos os anos, pelo natal, um padre saía de Atalaia para dizer a missa do galo na Passagem (povoação próxima à cidade de Quebrangulo). Certa feita, havendo chovido torrencialmente durante o dia, o padre, atingindo a margem de um riacho que se situava à igual distância de outros dois (Gurungumba e Limoeiro), encontrou-o de tal maneira cheio que foi impossível atravessá-lo.

Sem esperança de prosseguir viagem, o padre procurou o oiteiro mais próximo, ergueu uma cruz e, quando a noite já ia em meio, celebrou a missa de natal. Essa cruz acabou por atrair romeiros, aos quais se devem as primeiras habitações do lugar, que tomou o nome de Riacho do Meio.

Riacho do Meio é o título do soneto – aliás bastante ilustrativo – do farmacêutico e poeta José Aragão:

“Tu que banhaste, outrora, os índios natos,
E deste viço aos matagais altivos,
Tu que fizeste um padre abrir os matos
Para plantar a cruz entre os nativos;

“Tu que frisado de mágicos formatos
Foste o marco de povos primitivos,
Cenário onde a Assembléia em lindos atos
Desenrolou-se aos surtos mais festivos;

“Meu pobre riacho! Agora vais à míngua,
Velho, mirrado, a te escorrer dormente,
Levando tantas queixas desta gente.

“Eu quisera entender essa tua língua
Para dizer-te, a sós, meu velho veio,
O que te faz assim, Riacho do Meio”.

Em outubro de 1831 a denominação foi mudada para Vila Nova de Assembléia. Riacho do Meio passou a ser designação para um modesto volume de águas fétidas e poluídas que corta o centro da cidade até desembocar no Rio Paraíba, provocando incômodas enchentes nos invernos mais rigorosos.

Por Sidney Wanderley

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