domingo, 10 de abril de 2011

Théo Brandão

O folclorista José Aloísio B. Vilela brincando cavalhada e bancando Ricarte de Normandia (foto tirada por Théo Brandão em 1928).

Théo Brandão

O maior expoente da chamada “Escola Folclórica de Viçosa” (1907-1981). Médico e poeta, publicou Folclore de Alagoas, Folguedos Natalinos, A Chegança e Reisado Alagoano.

Os outros três expoentes da referida Escola foram José Maria de Melo (Enigmas Populares e Os Canoés), José Pimentel de Amorim (Medicina Popular em Alagoas) e José Aloísio Brandão Vilela (O Coco de Alagos).

A designação “Escola Folclórica de Viçosa” deve-se ao folclorista Manuel Diegues Júnior, como reconhecimento ao trabalho sério e continuado exercido pelos quatro folcloristas, no que se referia ao estudo e divulgação das mais diferentes modalidades de manifestações populares.

A exemplo de José Pimentel (J. Paraíba), utilizavam-se sempre de pseudônimos nas publicações que efetuavam em jornais viçosenses. José Maria de Melo era Jorge Miral. José Aloísio disfarçava-se de Osório de Olivares ao escrever artigos sobre folclore e de Franco Lino quando se dedicava ao exercício da crítica literária. E Théo Brandão assinava seus poemas de cunho modernista – e que acusam marcante influência de Jorge de Lima – como João Guadalajara.

De sua autoria é o poema VIÇOSA:

“Viçosa
Cidadezinha do país das Alagoas
Riacho do Meio, Vila da Assembléia...
Um padre ia dizer missa na Passagem,
A Passagem estava cheia
E se disse missa ali mesmo
Na beira do riacho,
Riacho do Meio,
Meio de minha terra,
Viçosa!
Tu tiveste um princípio
Igualzinho ao princípio do Brasil
Com teu padre
E tua cruz de madeira.
Até nisto tu és tão brasileira
Viçosa do país das Alagoas,
Terra de tanta coisa ruim,
Terra de tanta coisa boa!
E o teu rio sinuoso e cheio de pedra
Como a Vida;
E os Dois Irmãos
Olhando Inhamunhá na água branca do rio...
E o teu “Quadro”
Que não é quadrado mas é um trapézio,
“Quadro”, que guarda todas as reminiscências
Da minha vida de criança.
Dia de “festa” tinha cavalinhos, tinha tilburis,
Negras velhas vendendo manuês e malcasados
Em tabuleiros alumiados por candeias de querosene.
- Ah! Os bolos da Joana Doceira!
E a banda de “pifes”
Tocava num coreto no meio da praça.
Tinha leilão
E o Chico Doninha gritava: Quanto me dão!
As prendas na mesa.
O Reisado dançando na porta da igreja.
- Eta, secretário da sala!
Os quilombos
- Folga negro, branco não vem cá.
As Cavalhadas
- Peixe, pirão d´água.
A procissão.
O cordão branco das filhas de Maria
Descendo a ladeira da Matriz,
“Quadro” bonito do Brasil nacional...
Viçosa, cidadezinha do país das Alagoas,
Terra de tanta coisa ruim,
Terra de tanta coisa boa!

Por Sidney Wanderley

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